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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
ateliermob, às 13:43 | comentar :: comment | 2009.04.30

[PT] Proposta ateliermob com Dalila Rodrigues (Museologia), Atelier Perspectivas e Betar

 

 

Da Memória Descritiva:

 

Museu
Os edifícios do actual matadouro municipal de Moura, conforme referido na abordagem crítica ao programa preliminar, reflectem de uma forma significativa a sua história. Desde a oscilação dos edifícios originais entre um pré-modernismo industrial a um desenho de raiz tradicionalista, até à forma como se lidou com o património edificado durante o séc. XX.
Neste sentido, tendo em conta que o complexo edificado está em vias de classificação pelo IGESPAR, propomo-nos tentar reabilitar o desenho original do edifício, recuperando as suas incertezas e contradições da viragem do séc. XIX para o XX, e que lhe conferem valor patrimonial e histórico.
A primeira operação que se realizou foi a identificação das construções a demolir, sem escala e de proporções erradas, que serviram como áreas de expansão do matadouro mas que não se coadunam com a perspectiva de um edifício classificado. A segunda operação foi a de procurar reencontrar o desenho original dos espaços interiores e dos vãos neoclássicos.

Se há uma perspectiva que, ao nível da intervenção no património, nos tem interessado desenvolver é que todas as novas interacções signifiquem a sua devolução às respectivas cidades e populações, e não uma objectualização do edifício no sentido de o transformar numa estrutura imóvel e intocável.
É neste sentido que procuramos concentrar todas as actividades públicas nos três corpos dos edifícios a reabilitar - o corpo central de serviços, recepção e equipamentos sanitários, o corpo sul com às áreas de exposições temporárias e espaço educativo e o corpo norte de exposições permanentes.
Com este novo desenho, ganha especial importância o espaço público exterior a poente, decorrente da demolição das construções existentes. Se a entrada do museu mantém o seu desenho original, entendemos utilizar o espaço tardoz (poente) como o elemento gerador de toda a estruturação do Museu. O visitante do Museu, entrará no corpo central, directamente para a recepção, percorrerá todo o edifício e a distribuição (exposições temporárias, permanentes ou área pedagógica) será feita a partir desse espaço exterior. Por outro lado, os espaços exteriores a tardoz, com áreas bastantes sectorizadas, permitem que possam decorrer algumas actividades de pequena escala, seja uma exposição ou área de brincar direccionada para crianças ou um pequeno concerto ou actividade noctívaga. Por fim, são também desenhadas umas novas escadas que dão acesso à R. Sto António.
Estas escadas assumem particular importância, seja pela sua necessária condição de percurso de segurança, seja caso a Câmara Municipal de Moura entenda abrir todos os espaços exteriores ao uso público não condicionado, transformando as escadas num acesso que promova o atravessamento urbano pedonal por dentro do Museu, o que nos parece uma ideia interessante como forma de devolução de um conjunto urbano edificado e público à população.
Nos espaços exteriores a norte, entre o corpo de exposições permanentes e o muro gravítico, propõe-se uma área de eventual expansão para o exterior do museu. Embora a maioria do actual espólio do museu tenha de ser mostrado num espaço interior, parece-nos interessante aproveitar este espaço exterior mais protegido, como um jardim de laranjeiras onde se poderão descobrir algumas peças que tenham condições físicas para estar expostas no exterior.
Da entrada do museu serão retirados todos os lugares de estacionamento que existem actualmente, sendo criada uma bolsa de estacionamento a Sul. Esta bolsa de estacionamento, que actualmente prevê 18 lugares, terá de ser em fases futuras redimensionada para valores que se verifiquem mais correctos em função do número de visitantes espectável.

 

 

Descrição funcional
Partindo dos três edifícios pré-existentes procurou-se concentrar em cada um deles as actividades públicas, conforme já foi referido.
Neste sentido propõe-se para o edifício central uma zona de recepção, as zonas de trabalho administrativo e técnico e a instalação das instalações sanitárias públicas e para funcionários (no âmbito da legislação sobre segurança, higiene e saúde no trabalho).
A recepção, ou o ponto de chegada e acolhimento dos públicos, foi pensada a partir do princípio da boa gestão de fluxos e também da noção de qualidade do serviço cultural público do equipamento em questão. Por estes dois motivos, e pensando que o acolhimento pressupõe uma introdução à relação dos públicos com o edifício e com os seus conteúdos, será de toda a conveniência que a área destinada à recepção permita acolher de modo confortável, contrariando eventuais condições climáticas adversas, não apenas visitantes singulares, mas também grupos, designadamente os habituais 60 passageiros de um autocarro.
No corpo sul, que se relaciona directamente com a zona de cargas e descargas e estacionamento, propõe-se que se desenvolvam a área de exposições temporárias e área para actividades educativas. Na área de exposições temporárias, o piso superior será desarmado (sendo as suas paredes parcialmente reforçadas), para que se possa ter uma zona com duplo pé-direito. Esta acção, para além de valorizar o carácter cénico do interior do edifício, permite que se possam desenvolver exposições com peças de maior altura e, de alguma forma, hierarquiza as diferentes espacialidades interiores. Toda a área para exposições temporárias deverá ser adaptável, seja em termos lumínicos ou de organização expositiva.

Considera-se que uma das poucas alterações interiores ao nível de materialidade dos edifícios existentes, deverá ser feita ao nível dos pavimentos, através da introdução de um pavimento de ripado de madeira.
No que diz respeito ao espaço para actividades educativas, pretende-se que seja desenhado como um ponto de partida para a leitura de todo o museu. Neste sentido considera-se que a área exterior que lhe está imediatamente afecta, também possa fazer parte do projecto pedagógico como um espaço exterior de acolhimento/divertimento das crianças.
No corpo norte e na área exterior que lhe está afecta, desenvolver-se-ão as exposições permanentes.

Para a construção nova, à cota da R. de Sto. António, estão previstas as áreas de arquivo e reserva, bem como o importante espaço de restauro. Entendeu-se este espaço de restauro, não só como um espaço de reparação das peças da exposição permanente (com acesso directo através de um elevador), mas também como um espaço no qual poderão ser utilizadas as mais inovadoras tecnologias de recuperação e investigação arqueológica. Embora estes espaços estejam maioritariamente enterrados, a entrada da luz e ventilação natural é garantida através de um pátio.
A única forma visível numa nova materialidade (betão), e que marca a intervenção contemporânea, é uma estrutura que se eleva na praça a tardoz acolhendo o elevador e um espaço que poderá ser uma pequena cafetaria, um eventual espaço para a loja do Museu ou outro pequeno equipamento que se entenda. Este volume é rematado por um espelho de água que funcionará como ponto de arrefecimento da praça e de marcação de charneira entre o betão e o muro caiado, conforme se pode ver na imagem.

 

Programa Museológico
Museu e desenvolvimento cultural estratégico
O investimento na cultura, por razões de ordem muito diversa, constitui um imperativo das sociedades contemporâneas. E no vasto território da cultura, o organismo “museu”, já não confinado apenas à noção de colecção, mas antes transformado num complexo dispositivo cultural, mostra sinais de uma espantosa vitalidade. Arquitectos, urbanistas e políticos assumem responsabilidades, a par de arqueólogos, historiadores e filósofos, no extraordinário processo de expansão e diversificação deste importante equipamento da cultura, seja pelas experiências culturais que no quadro desta tipologia se têm ensaiado e afirmado com pleno sucesso, seja pela capacidade de mobilização do potencial mediático do edifício, capaz de atrair, por si só, multidões e de actuar como factor de prestígio, de promoção e desenvolvimento do território. Num contexto internacional, os museus estão cada vez mais centrados na definição de estratégias de crescimento e de alargamento, de aumento de receita, de aumento de públicos, de atracção turística, de impacto sócio-económico.
A estruturação de uma plataforma cultural activa para vilas e cidades de pequena dimensão – numa lógica de diversificação territorial e cultural – é sem dúvida o elemento decisivo para contrariar a tradicional hierarquia do sistema da cultura e dos seus cristalizados modelos centralizadores, que ao invés de favorecerem o diálogo entre as grandes cidades do litoral e o interior consolidam a ditadura da regra entre “centros que falam” e “periferias que escutam” (Lopes, 2000).
A noção de “parceria estratégica”, paralelamente a um olhar muito atento às especificidades do território, assume uma importância vital na definição dessa “plataforma cultural activa”. Com efeito, é hoje não apenas possível, mas também desejável, incluir num mesmo projecto agentes e instituições com centralidade e periferia geográfica, do mesmo ou de países diferentes. É possível e desejável a criação de produções culturais assentes nos princípios da troca e da itinerância, com intercâmbio de técnicos, de criadores e de produtos culturais. Além de alimentar programações regulares, os parceiros estratégicos podem legitimamente aspirar à realização de acontecimentos marcantes a uma escala abrangente, seja na área da exposição, seja na do espectáculo (festivais), ganhando, assim, não apenas projecção regional e nacional, como internacional.
A localização de Moura face a Espanha, entre outras vocações específicas do território que poderão vir a ser trabalhadas no quadro de uma programação culturalmente relevante, constitui uma vantagem para a definição das parcerias e para a sua especialização. Haverá que não esquecer que os públicos e os recursos financeiros exteriores, como afirma o sociólogo João Teixeira Lopes, atraem-se a partir “de um marketing territorial audaz e coerente, de modo a fazer passar a mensagem do seu investimento nos "mundos da cultura", atraindo audiências e recursos exógenos”.

Oportunidades culturais: um espaço vivo e criativo
Entendemos que o Museu Municipal de Moura poderá ser o elemento estruturante dessa desejável plataforma cultural activa, oferecendo-se desde logo como espaço qualificado para a realização de uma programação diversificada e culturalmente relevante num quadro regional e nacional.
Embora seja incontestável que a existência de uma colecção – neste caso concreto com uma especial vocação na área da arqueologia – favorece a consolidação da identidade do museu, aspecto a que somos particularmente sensíveis, também é evidente que a experiência dos visitantes, hoje, ultrapassa a simples fruição dos conteúdos da exposição dita “permanente”.
Defendemos, pois, a exposição da colecção nas melhores condições de segurança, climatização, iluminação, dispositivos de apresentação e fruição. Mas defendemos também a realização de uma programação centrada na dinâmica das exposições temporárias, a realizar em parceria com outros agentes e instituições. Nestas, terão protagonismo evidente a área da arqueologia e as dinâmicas territoriais (o recurso à imagem digital projectada em grande formato no espaço do percurso expositivo para associar as peças em exposição aos locais de origem pode ser interessante), assim como nas da arte antiga e contemporânea. Para tanto, entendemos ser essencial um Serviço Educativo especialmente activo, que poderá vir a ter na comunidade docente local, enquanto agentes activos, e também no quadro de uma parceria, respostas surpreendentes.
Paralelamente, a programação regular de ciclos de conferências, de espectáculos de música, de teatro, dança e moda (especialmente no Verão, e com realização ao ar livre) contribuirá para criar uma relação efectiva entre o museu e a comunidade, por um lado, e para atrair visitantes, por outro.
Como sabemos, a estrutura do edifício do museu, ou conjunto de edifícios, e os seus espaços contribuem não apenas para a imagem da instituição e, consequentemente, para a impressão e para a resposta do público, mas também para a possibilidade de incluir conteúdos expositivos que favoreçam o conhecimento, o questionamento e a indagação, em situação temporária, episódica, segundo a máxima: “o museu não se visita, frequenta-se”.
Há que ter ainda em conta que a percepção da arquitectura do museu pelos visitantes não se limita ao interior dos espaços museológicos, partindo antes de uma perspectiva urbanística, dado que os museus sempre tenderam a assumir uma posição de destaque, estruturando praças ou assumindo, por si só, uma expressiva monumentalidade. Daqui a opção pela construção de uma praça a tardoz, que enquanto espaço exterior ganha protagonismo e relevância como pólo agregador e dinamizador do museu.

Constrangimentos orçamentais e práticas museológicas activas
É também verdade que os imperativos de ordem económica, sobretudo a crescente redução, quando não estrangulamento, dos fundos públicos, assumiu uma importância no debate e nas práticas museológicas a um tal ponto que a reflexão sobre questões tão fundamentais como o sentido e as finalidades dos museus têm sido minimizadas. Ou seja, não obstante a intensa actividade crítica que antropólogos, arqueólogos, sociólogos, filósofos, historiadores e críticos de arte passaram a desenvolver sobre o museu e a museologia, sobre as colecções e os estatutos dos objectos, sobre programação e curadoria de exposições, sobre missões de conservação, investigação e educação, sobre políticas de aquisição e gestão de colecções, entre outros aspectos de idêntica relevância, como será o do acesso e o da comunicação, são outras as frentes que hoje constituem os pólos mais críticos do debate. Não obstante, é fundamental não ignorar que a integração crescente dos museus no mercado – desde logo no mercado de consumo com a procura de públicos – deverá ser vista, primeiro que tudo, como um sinal de vitalidade, pois a exploração de actividades comerciais relacionadas com a frequência, sobretudo dos públicos potenciados pelo turismo, facilitará o cumprimento de missões culturais, científicas e educativas. Aliás, para os museus de referência, o principal desafio não será já o da definição de estratégias de alargamento e modernização de espaços e de serviços. Muito menos o do crescimento do merchandinsing, do mercado de imagem e do comércio electrónico, cujas técnicas de exploração e grau de sofisticação parecem já inultrapassáveis.
O mercado da educação – aumento de visitas escolares, da formação contínua, de programas educativos sequenciais – é cada vez mais interessante e eficaz. Actualmente, o grande desafio consistirá na capacidade e no talento de fazer confluir, através de programações adequadas, sem soluções populistas e de espectacularização, os especialistas, os públicos conhecedores e o cidadão comum, tal como a realização de actividades “não rentáveis” e fulcrais à existência do museu, como as de conservação e investigação, com a necessária angariação de fundos. A aposta num museu enquanto dispositivo da cultura, ainda que com esforços financeiros significativos, é seguramente o resultado de uma inteligente visão estratégica.

 

Paisagem
Moura é uma cidade que se localiza na região do Alentejo, na sub-região do Baixo Alentejo e no distrito de Beja. A paisagem tradicional desta região pode caracterizar-se pelas de vastas planícies, com povoamentos muito concentrados e pouca arborização, predominando os tons ocres devido às grandes extensões de cereal que em tempos existiram (segundo Abreu et al. em “Contributos para a Identificação e Caracterização da Paisagem em Portugal Continental”). A vegetação natural, bastante rica em espécies odoríferas, as culturas agrícolas e as pastagens conferem à paisagem grandes contrastes cromáticos, sendo a Primavera a estação do ano que assume maior variação de cores e aromas, o Verão a época em que as plantas secam e onde os castanhos passam a dominar a paisagem até que as chuvas do Outono reiniciem o ciclo que repõe o verde na paisagem.
No que diz respeito ao clima verificam-se grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite e entre os Verões escaldantes e os Invernos rigorosos. Pode-se assim dizer que se verifica uma marcada estação seca e quente, sendo por isso o clima marcadamente mediterrânico, mas com algumas características continentais.

 

Metodologia de Intervenção
Considerou-se que a proposta de vegetação e infra-estruturas em determinadas zonas da área de intervenção, e a forma como elas se implantam no terreno, devem constituir elementos importantes, ao proporcionar o conforto necessário aos utilizadores do espaço. Assim, e tendo por base as características da região onde área de intervenção se localiza, foi tido em atenção o adequado uso de vegetação, bem como os elementos estruturantes do espaço.
Uma vez que na região onde a área de intervenção se encontra é bastante comum a existência de vegetação odorífera, como foi referido anteriormente, foi proposto, em algumas zonas, a utilização de plantas com estas características, com o intuito de se procurar o enquadramento com toda a envolvente. Foi também tido em atenção o facto da vegetação escolhida ser resistente às características biofísicas da área de intervenção, procurando minimizar os custos de manutenção de todas as zonas verdes.
É ainda de salientar, junto da área de intervenção, a exitência de uma linha de água que se considerou como sendo um elemento importante onde se determinou que a intervenção deveria ter em conta as características destes sistemas, em que a presença permanente ou temporária de água leva a um desenvolvimento de sistemas bióticos de grande diversidade muito importantes e que consequentemente deverão ser preservados.

As diferentes áreas e propostas de intervenção


Rua do Matadouro
Relativamente à vegetação foi proposta a criação de um arco com plantação da espécie Jacaranda mimosifolia (Jacarandá). Esta é uma árvore de flor e cor intensas, e com odor, em que a sua utilização tem como objectivo dar alguma singularidade ao espaço. Esta vegetação prolongar-se-á até à zona da linha de água, existente e a preservar, passando pela zona do estacionamento, de forma a criar uma ‘linha’ em arco de vegetação homogénea que se destaque das restantes espécies arbóreas e arbustivas propostas e existentes na envolvente. O arco tem assim a função de envolver o museu unindo-o à linha de água mas ao mesmo tempo oferecendo alguma singularidade.
Ainda para a Rua do Matadouro foi proposta a criação de uma zona de passeio com pavimento de blocos de calcário irregular semelhante ao existente noutros locais da cidade, com a finalidade do enquadramento e ligação da área de intervenção com os espaços envolventes, criando-se desta forma uma leitura global.
Para o espaço junto à muralha, e considerando que é importante evitar o acesso junto desta, foi proposto a utilização de pavimento não agregado, arenoso, tipo terreiro, que em contraste com o pavimento do passeio favorece inconscientemente a utilização preferencial do último.

 

Linha de água
A área de intervenção usufrui da proximidade de uma linha de água, tendo em atenção a fragilidade e importância deste elemento e o elevado valor natural e cultural, é indispensável a protecção das margens com vegetação ripícola.
O revestimento vegetal é um factor importante na defesa e conservação do solo, como consequência da protecção que a sua parte aérea exerce na acção directa da chuva e as suas raízes na formação de uma rede de retenção das partículas do solo. Quando se eliminam os elementos vegetais, o sistema entra em desequilíbrio ou em ruptura e a acção dos agentes erosivos agrava-se. Assim, serão arrastadas grandes quantidades de sedimentos, de montante para jusante, provocando o assoreamento dos cursos de água, o que pode originar inundações das áreas marginais. Na realidade, a margem está sujeita a várias oscilações do nível da água, ao longo do ano, apresentando uma grande biodiversidade de espécies vegetais que se instalam de acordo com os diferentes níveis da água atingidos. É importante proteger os ecossistemas ripícolas, podendo-se, para isso, recorrer ao material vivo, ou seja, à vegetação, que contribui para a protecção dos recursos naturais sem destruir a sua imagem. Visto que a área de intervenção propriamente na linha de água é muito restrita, não fará sentido desenvolver técnicas de conservação de margens, diminuição do tempo de concentração de chuvadas torrenciais ou mesmo de melhoria da qualidade da água através da função bio-filtrante da vegetação. No entanto faz sentido aproveitar a linha de água e consequentemente a proximidade do lençol freático, para enriquecer as margens e áreas adjacentes com vegetação arbórea e arbustiva para prover o espaço urbano dos benefícios de uma galeria rípicola, especialmente o efeito de regulação da temperatura, retenção de partículas aéreas de poluíção e fornecimento de abrigo, alimento e recursos à fauna. Eleva-se de maior interesse ainda o facto de após a instalação da vegetação os cuidados de manutenção serem mínimos, quando comparados com qualquer outro espaço verde. Esta conservação de energia deve a todo o custo ser aproveitada para o benefício da população.
Considerando o que foi referido, alguma da vegetação herbácea e arbustiva proposta para a zona da linha de água será Crataegus monogyna (pilriteiro), Nerium oleander (loendro), Tamarix africana (tarmagueira), Sambucus nigra (sabugueiro) e Securigena tinctoria (tamujo) para a zona do nível média da água. No que diz respeito à vegetação arbórea será proposto Celtis australis (lódão-bastardo), Fraxinus angustifolia (freixo), Salix atrocinerea (salgueiro-preto). Nas áreas mais afastadas deverão ser plantadas as espécies arbóreas mais típicas da região como a Olea europaea (oliveira) ou a Quercus rotundifolia (azinheira).

 

Estacionamento
Para a zona do estacionamento foi proposto a plantação de Tilia cordata (Tilia), espécie com odor e cujas folhas têm duas tonalidades de verde, uma mais escura e outra mais clara. A escolha desta árvore também teve em atenção o facto de a sua folha ser caduca, pois pretende-se que haja sombra na área de estacionamento no período mais quente do ano, e que o sol passe com facilidade por entre os ramos durante o Inverno, altura de mais frio.

 

Espaços exteriores do museu
Para os espaços exteriores do museu foi proposto a utilização de pavimento em xisto assente a cutelo com espaçamento que permita tornar o pavimento permeável e a plantação de um Corynocarpus laevigatus, árvore de folhas persistentes, de cor verde escura brilhante e coriácea. Esta árvore será um elemento singular que pretende marcar um espaço de espera e permanência mais prolongada, oferecendo sombra todo o ano.
A uma cota mais baixa, no andar inferior, existe um pátio onde se propõe a plantação de uma Ginkgo biloba (Ginkgo), que é uma árvore de porte mediano, com copa cónica, tronco acinzentado, folhas verde-claras e caducas (de cor amarelo dourado antes de caírem). Foi escolhida esta espécie de árvore pois suporta bem a secura estival e o frio do Inverno, sendo ainda pouco exigente ao nível das características do solo.
Quanto à zona norte do museu foi proposta a plantação de Citrus aurantium (Laranjeiras), árvores características de clima mediterrânico, que fazem parte da cultura do Sul da Europa e das quintas portuguesas em particular. Para além disto também foi tido em atenção o facto destas árvores não serem muito altas, uma forma mais ou menos esférica, as suas folhas serem persistentes e de cor verde-escuro brilhante e as flores serem brancas e extremamente aromáticas.

 

Rua do Telheiro
Ao longo da Rua do Telheiro, actualmente existe um alinhamento de árvores que se pretende manter, pois para além da vegetação arbórea já se encontrar bastante bem enraizada também se minimizam os gastos com a implantação do projecto, bem como se assegura a existência de vegetação já desenvolvida. Efectivamente, com a plantação de exemplares arbóreos novos só ao fim de alguns anos é que seria possível tirar partido da sua presença, e com a opção de manter a vegetação, já devidamente desenvolvida e enraizada, é possível criar áreas mais consolidadas, cumprindo-se desta forma as funções dos espaços mais fácil e rapidamente.

Ponto de chegada ao Museu Municipal e área do ponto de abrigo
Para estes dois espaços foi usada o mesmo tipo de metodologia de intervenção. Assim, no que diz respeito à vegetação é proposto a utilização de Olea europea (Oliveira) e Quercus suber (Sobreiro) que são árvores características da região. Optou-se por este tipo de vegetação de forma a conferir unidade no tipo de paisagem e nas características da envolvente.
No que diz respeito aos pavimentos, e uma vez que se pretende que haja uma relação com os espaços envolventes, optou-se pela utilização de blocos de calcário irregular semelhante ao existente noutros locais da cidade.

 

(...)

 


Conclusão
Se, conforme se tem referido ao longo desta memória descritiva, o projecto original do complexo do antigo matadouro de Moura espelha uma leitura dicotómica da realidade do virar do séc. XIX para o séc. XX, a abordagem projectual que se propõe também não se pretende alhear dos tempos que vivemos.
Conscientes das dificuldades financeiras que o poder local atravessa, entre outras coisas, com a progressiva diminuição do investimento público do poder central em cidades de pequena/média escala, cumpre aos projectistas articular soluções pragmáticas, sérias e de baixos custos como são o caso dos pontos de chegada e abrigo ou da proposta de reordenamento do cruzamento através de uma rotunda que se propõe, de modo a que a sua implementação possa ser viável, rápida e preferencialmente executada por empresas locais.
No que diz respeito ao museu, a proposta apresentada deverá ser sempre entendida com um investimento público central, necessariamente dinamizador e potenciador de novas sinergias de dentro e fora do arco concelhio de Moura. A solução preconizada, embora conceptualmente simples, assenta num programa museológico que vai um pouco além do que consta na nota técnica anexa ao programa de concurso. Pensa-se que este processo não deverá ser apenas uma forma de reabilitar o complexo do matadouro e de reinstalar o actual museu no seu espaço, mas reflectir uma nova forma de produzir equipamentos culturais em cidades de pequena e média dimensão, capazes de mostrar, ensinar e produzir conhecimento para o séc. XXI.

 

[ENG] Ateliermob proposal for the transformation of Moura's Matadouro in a Museum.


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_ Prémio Excelência 2016 - Reabilitação


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