arqa nº 98/99
11/12-2011
[PT] Entrevistados pela Paula Melâneo e Luís Santiago Baptista
[ENG] Interviewed by Paula Melâneo and Luís Santiago Baptista
Qual a vossa perspectiva da arquitectura portuguesa contemporânea? Sentem que existem diferenças geracionais no nosso contexto disciplinar? Se sim, como e onde se manifestam?
Parece-nos que existe uma imagem do que é a “arquitectura portuguesa contemporânea” que nada tem a ver com a realidade. Isso manifesta-se nas exposições de “arquitectura portuguesa” e nas representações oficiais. Tudo o que não se inscreve na referida imagem, tende a ser ignorado e silenciado. Com as gerações mais novas, a relação mestre-aprendiz desapareceu e as afinidades esbateram-se por uma série de razões. Por outro lado, os programas de intercâmbio de estudantes e jovens trabalhadores desvaneceram fronteiras e possibilitaram novos cruzamentos. A massificação e democratização do acesso à profissão e a crise, têm criado condições extraordinárias para a prática da profissão. Se continuamos a pensar que há uma identidade comum que nos permite ainda falar de “arquitectura portuguesa”, essa nada tem a ver com a imagem que dela é projectada em feiras e festivais. Essa identidade talvez se manifeste pela carência de meios, pela procura de uma certa simplicidade e pela ambição de transformação social. Aliás, parece-nos que este último aspecto está a fazer emergir uma série de novos ateliers e projectistas interessantíssimos que, curiosamente, estão muito mais relacionados com uma certa arquitectura de intervenção dos anos 60/70 do que com as arquitecturas de continuidade do final do séc. XX.
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